Sorte



Morte, tomei-te em meus braços, sorte ter-te em meu regaço, baço olhos de cansaço, na noite adentro me desfaço, um laço, um trago, um traço. Fiasco, um passo, a passo descuido, tenho dois, só  dois sóis e um mundo, e num segundo mudo, de silêncio, mudo as cores de tudo. O abraço apertado, o homem assaltado, o salto quebrado, do alto um salto, uma queda, livre. Um livro tive que contava-me fábulas do norte e já dizia no mote que de cavalo a trote, ao som de fagote, ela vinha. Quem? Alguém, aquém da sorte. Dentro, rimas de palavras esdrúxulas, poemas, contos e contas que não terminei. Descoincidência trivial, eu tinha encontro marcado no mercado do terminal. Atrás das contas, de números e muitas variáveis, dizia: “Espero-te no terminal de partidas às duas em ponto”, invariavelmente um tonto, um tanto esquecido. Tudo cursivamente redigido, de punho ferido, sangue escorrido, afinal de contas, foi tudo tempo perdido. Aturdido com tantos desnortes, acatei a minha sorte, desatei o laço, libertei a Morte.

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