Escombros



Quem tira o sono espreita a alma de quem vaga à penumbra da noite fria.

Em caminhos desertos, apenas os escombros do que um dia foi o seu lar.
Procura uma saída, um pouco de luz, um tempo de paz.

Ouve vozes, fala com elas.
São seus mortos, queridos mortos.
Flagelados, ainda assim, felizes.
Odeia-os.
Repugna-os.
Ama-os.

O tempo esvai-se levando consigo as estrelas.

Sobe, degrau por degrau, um pé após o outro, com  a força que lhe resta.
Do alto vislumbra a nudez vergonhosa do seu algoz, o dilúculo, a cidade e o fim da escuridão.

E são os seus atos insensatos, seus sonhos e sua ambição que apanham-me em seu sorriso, no seu abraço, em seu embaraço, na sua fragilidade; e já não sou nada, sou todo dela, apenas e só, completo.

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