Frustração

Imagem: Albín Brunovský

Nada do que escrevo descreve meus pensamentos, são apenas fragmentos de tentativas frustradas e coisas impensáveis.

A porta que bate com a força do vento que vem do mar que almejo, o som metálico que o bater produz e repete-se, não como eco, mas pelo repetir de tudo; não me servem de metáfora, apenas de esbatimento de qualquer centelha de pensamento vago.

Não existo, apenas a matéria vazia, preambulante de um livro de páginas em branco, perambulando no espaço comum das coisas vulgares, entre a capa e a contracapa dos meus eus, nas entrelinhas de frases distorcidas.

As paisagens são apenas paisagens, já não as possuo. O céu é só céu e só azul, minhas tintas não o colorem mais. Minhas mãos não alcançam as estrelas e nem mesmo a lua cabe nelas. Não consigo voar e tão pouco fazer parar as engrenagens do tempo ou o eixo que faz girar o mundo.

As flores nas mãos da mulher ao meu lado parecem querer fugir de serem estranguladas. Há entre elas qualquer silêncio de desespero, um desejo descentralizado da vida e oposto a morte. Tenho vontade de ajudá-las numa fuga fugaz pela espuma das águas agitadas, mas já não sou capaz de suster as flores e suportar a força de lançar-me contra a espuma...,a tão frágil e leve espuma!


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