Página em Branco



Mais uma página em branco aprisionada.
Solitária com tantas outras entre as capas duras deste caderno de notas devaneadas.
Um vazio infinito à espera de um borrão  qualquer de vida.
Eu, perdido nessa vastidão de nada,
procuro por qualquer parte de mim que seja visível,
mas não existo.
Caminho entre o emaranhado de linhas de tinta cor azul displicente.
Agarro-me em qualquer ponta solta e,
como um pêndulo,
indiferente aos limites da folha,
oscilo,
indefinidamente,
para dentro e fora das grades que cercam as páginas em que me perco.
Dentro, nada branco com azul;
fora, nada preto colorido.
Tudo é nada.
Tenho vontade de não estar no meio de tudo.
Então deixo de pendular e,
afim de opacificá-la em minha visão diáfana,
corro todos os riscos dos rabiscos que ela fez,
mas seus desenhos,
caminhos incógnitos, azulados e dessentidos;
apenas lembram-me que a esqueci.
E nesse desnexo com tudo,
sigo tateando a brancura incólume da página sem mim.

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