Dilúculo

Foto: Fabrício Francelino
 
Atirei-me de onde atira o atirador.
Arrisquei-me como se arrisca o vencedor.
E era tarde, era noite, era outro dia.
Era branco, era vinho minha lucidez.
Era sórdida toda a minha embriaguez.
Fiz-me cego, me fiz ego, me fiz rei.
E joguei-me como se joga o jogador.
E atirei-me de onde se atira o perdedor.
E era outro dia, outra tarde, outra vida.
Adormeci nas águas brandas do teu rio.
Amanheci algures que não conhecia.
E era a tarde e era a luz de outra manhã.


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