Sem palavras e sem vazios

Palavras não encontro, vazio também não. Fustiga-me sem dó esse pesar que pesa na queda de quando louco lanço-me no abismo em que habito e não encontro palavras, também vazio não. Separo o sol da lua, tinjo de preto o dia e a noite durmo, sonho, durmo sonho, acordo dunuts. Torrentes de água desabam sobre minha cabeça, escorre pelo meu corpo queimando e esvai pelo ralo. Ralo cenouras, frito batatas mas não encontro palavras e vazio também não. Ouço o sino das três badalar duas, tenho fome, filhos, palavras perdidas e vazio nenhum. Vinho é o céu quando a noite chega com seus tantos sóis que lá pus e um pouco de chocolate. Sob o sol frio como sorvete, como sorvete, como gelado que é como sorvete. E nesse devaneio em que chafurdo vou pelo mesmo caminho da espuma pelo ralo sem as palavras perdidas e sem vazios encontrados. Mas não quero o que agora meu corpo quer, nuca quero, sempre faço e nunca consigo. Ela dorme, ela dorme, eu ainda não, ainda não ainda. Sem palavras e sem vazio não sei o que fazer; frito cenouras, ralo batatas e como bolas da capital alemã. Amanhã fará sol e muitas estrelas, a noite será como dantes, como dunuts de chocolate amargo oitenta por cento, o resto será sweet. Tudo é sweet com vinho. Águas estão sobre minha cabeça enquanto afundo nesse abismo que pelo hábito habito por vontade própria do meu algoz. Submerso nessas águas frias sem vazios e sem palavras, com meu corpo enrijecido e o coração dilacerado, dou mil braçadas ao vento, cinco mil abraços no mar e não encontro palavras nem vazio que me preencha.