Maior de 30 não é mais adolescente


Se eu tivesse me envolvido com drogas talvez teria morrido com 27 anos, exatamente com a idade que eu queria morrer quando era adolescente, a mesma idade que meus ídolos Hendrix, Jim, Janis, Johnson e Amy morreram. Mas a verdade é que o mais próximo que cheguei das drogas foi na época em que tomava refrigerante Dolly, Tobe, Del Rey e Coca-cola; na mesma época que era adolescente e tocava numa banda que se chamava Sentido. Há alguns anos não tomo mais essas coisas e nem toco em banda alguma. Então eu não morri com 27 anos e não teria a menor graça se tivesse morrido pois não fiquei famoso como meus ídolos e além das drogas faltou-me também um super talento musical como o deles. Presume-se então, que se eu tivesse morrido, não teria nota de falecimento nem no boletim informativo do bairro muito menos no plantão da TV Globo. E já que não morri com 27, acabei por completar 30 e como eu já imaginava, ter 30 anos é igual a ter 29, exceto pelas piadinhas de minha esposa que já suportou as minhas e as de alguns amigos mais novos que eu.

Mas o que eu quero dizer mesmo é que com um pouco de sorte, boa alimentação e exercícios físicos é bem provável que eu consiga viver mais 30 anos, porém desta vez com a vantagem da experiência adquirida que, com certeza, me impedirá de repetir alguns despautérios do passado, a menos, é claro, que eu me envolva com alguma substância narcótica. Enfim, nos próximos 30 anos não pretendo:

1 - Participar de Encontro de Casais. Se for rolar um swing, o que na minha opnião caracterizaria um verdadeiro encontro de casais, posso até mudar de ideia, do contrário, nunca mais. Abre parênteses: para ser o primeiro desta lista deve ter sido bem traumatizante, nem eu havia me dado conta disso. Fecha parênteses.

2 - Frequentar uma igreja protestante. Esse povo, do qual já fiz parte na época da adolescência, adora um deusinho muito estranho. Estão precisando conhecer um Deus de verdade. Seria preferível que adorassem o deus Sol, a deusa Lua ou quem sabe a divindade Vaca. Eu particularmente prefiro a Vaca à esses deuses que andam pregando por aí nas igrejas. 

3 - Casar também está fora de cogitação. Casei-me ainda adolescente e não pretendo me casar nunca mais. Afinal de contas, não vou trocar de esposa, então para que me casaria novamente? Para ter duas? Nem mesmo ter uma amante passa pela minha cabeça, muito menos duas esposas. Tudo bem, admito, há algumas inverdades quando na frase anterior disse sobre o que passa na minha cabeça. Na minha cabeça passa de tudo, mas entre pensar e agir existe um grande abismo, ou não, depende das circunstâncias. Mas o que eu apenas penso é problema meu, dispenso a hipocrisia das "mentes puras".

4 - Não vou mais destruir cd's de música por conta de supostas mensagens subliminares. É difícil acreditar que um dia fiz isso. Logicamente foi na adolescência. Mas quem é o retardado que ouve cd ao contrário? Tudo bem que na adolescência usei cinto para trás, cardaço amarrado ao contrário e camisa do avesso;  mas ouvir cd ao contrário!? Só com muito ópio mesmo e, além do mais, sequer acredito no poder dessas tais mensagens subliminares. E não poderia deixar de aproveitar para pedir uma coisa aos artistas que tiveram seus cd’s destruídos nesse sacrilégio insano: perdão.

5 - E por fim, nos próximos 30 anos, não irei votar novamente no Collor. Por respeito ao meu país e àqueles que pintaram a cara para tirá-lo do poder. A primeira vez que votei foi nele, eu era adolescente.
 
De resto, que eu me lembre, não me arrependo de mais nada, exceto daquelas coisas que não posso dizer.


E se existem insanidades que não quero repetir, existem outras que faço questão, mas vou deixar para falar disso em outro momento talvez. 

E fique claro que se eu pudesse voltar ao passado voltaria à época da minha adolescência.

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