Abduzido

Fui abduzido ao meu âmago e me perdi. E no escuro não pude encontrar tuas mãos, mas pude ouvir tua voz. E ela ecoava no vazio de tantas coisas vazias e volvia sem respostas... Eu estava mudo. Mas ainda assim não desistiu, como sempre, nunca desistiu... Apenas se calou. E o silêncio vociferou incessantemente em meus tímpanos, me fez sofrer as agruras de teus pesares... E eu chorei. Chorei pelo inconsútil manto negro sobre mim. Chorei pelo que havia me tornado e que ainda sou. Chorei minha debilidade... Chorei... Como uma criança que perde a mãe... Chorei.
As lágrimas inundaram-me, submergi, e sem fôlego, retornei de onde partira. Imóvel, prossegui meu caminho... Agora estou aqui, sem danos aparente. Visivelmente incólume. Furtivamente insano.

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