Prólogo

Estranham-me aqueles que lêem. Não entendem ou assim preferem. Nessas circunstâncias, é o melhor. Pois se entendessem, por mais absurdo que pareça, entenderiam errado. E antes que me julguem pelas palavras não entendidas e pelas entrelinhas não lidas ou, mais drasticamente, não julguem, apenas decretem a sentença fatal; prefiro com essas mesmas palavras e entrelinhas tentar minha auto-explicação. Porque se eu pudesse no instante que eu quisesse, transpor a razão inexplicável de todas as coisas, decerto que toda a realidade se aniquilaria e nem mesmo o instante do momento que eu quisesse existiria. Então não haveriam dúvidas, nem erros e nem acertos. Em uma espécie de limbo estaria tudo que antagoniza. Porém enquanto minha droga for utopia, é improvável que eu escape do meu algoz. Por isso, a partir daqui, me abstenho de toda quimera e me purifico de todo absurdo.